13.9.18

A Colónia Balnear da Gala, o professor Bissaya Barreto e a fuga de Henrique Galvão

Dr. Bissaya Barreto
A Colónia Balnear da Gala foi inaugurada no dia 25 de setembro de 1950 por Trigo de Negreiros, Ministro do Interior de Salazar de 1950 a 1958, estando também presentes Trigo de Negreiros, Bissaya Barreto e o presidente da Câmara Municipal da Figueira da Foz Álvaro Mafafaia. 
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Fernando Baeta Bissaya Barreto Rosa foi o grande impulsionador desta obra. Nasceu em Castanheira de Pera em 29 de outubro de 1886 e faleceu em 16 de setembro de 1974 em Lisboa. 
Aluno brilhante, formou-se em Filosofia e Medicina na Universidade de Coimbra. Republicano convicto, participou no grupo de Livre Pensamento (1904), na criação do Centro Republicano Académico, assinou o Manifesto Académico ao País dos estudantes revolucionários de Coimbra, lançou o jornal “Pátria” e aderiu à greve académica de 1907 integrando o grupo dos “intransigentes” quando era dirigente da Associação Académica e do Centro Republicano. 
Recusou receber das mãos do rei o prémio que lhe foi atribuído por ser um dos melhores alunos da universidade e, em 1909, quando o combate entre republicanos e monárquicos se intensificou com as sociedades secretas, aderiu à Maçonaria através da loja de iniciação de estudantes “A Revolta”, da qual fez parte até 1913. 
A inauguração em 1950
Após a implantação da República foi eleito deputado à Constituinte (1911) e deputado na Assembleia Nacional (1912-1915) pelo partido evolucionista, liderado por António José de Almeida. 
Em 1915 doutorou-se e iniciou a sua carreira como professor universitário na Faculdade de Medicina de Coimbra, a qual culminaria em 1956, ano em que se jubilou. 
Seu pai foi presidente da Câmara Municipal do Pedrógão e ele próprio foi presidente da Câmara Municipal de Coimbra de 1922 a 1926. 
Entre outras funções, foi deputado à Assembleia Nacional Constituinte (1911), dirigente do Partido Republicano Evolucionista e depois da União Liberal Republicana. Após o golpe de Estado de 28 de maio de 1926 aderiu à União Nacional de que foi um destacado dirigente.
Bissaya-Barreto foi presidente da Junta de Província da Beira Litoral e procurador à Câmara Corporativa. Impulsionou sanatórios, leprosarias, casas da criança, refúgios para idosos, institutos maternais, bairros económicos, campos de férias e colónias balneares, estando à frente da campanha de luta contra a tuberculose, a lepra e as doenças mentais. 
À sua iniciativa se devem os Sanatórios de Celas e dos Covões, atualmente Hospital Pediátrico de Coimbra e Hospital Geral, a Maternidade Bissaya Barreto, o Hospital Sobral Cid, o Hospital Psiquiátrico do Lorvão, o Hospital Rovisco Pais e o Hospital da Figueira da Foz. 
Criou a Escola Normal Social e o Portugal dos Pequenitos, em Coimbra. 
A 1 de setembro de 1950 foi feito 59º sócio do Ginásio Clube Figueirense e a 29 de outubro de 1956 foi agraciado com a Grã-Cruz da Ordem de Benemerência. 
Em 26 de novembro de 1958 criou a Fundação Bissaya Barreto, em Coimbra, com sede na casa onde viveu. 
Desde 1963 foi Provedor da Santa Casa da Misericórdia de Coimbra. Nesse ano, a 9 de maio, foi agraciado com a Grã-Cruz da Ordem Militar de Cristo. 
Após o 25 de Abril foi exonerado de todos os seus cargos, morrendo em Lisboa a 16 de setembro de 1974. 
Por testamento, doou todos os seus bens à Fundação Bissaya Barreto. 
Bissaya Barreto foi membro de conselhos de administração de grandes indústrias que integraram, no início dos anos 70, os grupos financeiros portugueses. Foi médico, professor universitário e benemérito, com fortes ligações a Salazar. 
Ajudou, contudo, alguns destacados antifascistas, entre os quais o Capitão Henrique Galvão, que terá auxiliado a fugir do Hospital de Santa Maria, em 1959, quando cumpria uma pena de prisão e se deslocou a este hospital. 
(Henrique Galvão foge e refugia-se na embaixada da Argentina. Depois exila-se na Venezuela. Foi durante este exílio que Henrique Galvão começou a preparar aquela que seria a sua ação mais espetacular: o desvio do paquete Santa Maria em 1961. Coordenou esta ação com Humberto Delgado, que estava exilado no Brasil. 
O capitão Henrique Galvão foi tradutor para português da biografia de Bissaya Barreto, da autoria de Pierre Goemaere, e colaborou no roteiro do filme Rumo à Vida: A Obra de Assistência na Beira Litoral.) 
Voltando à Colónia Balnear da Gala, onde foram felizes milhares de crianças pobres que aqui viram o mar pela primeira vez, recordamos a satisfação de quem por lá passou: 
“-Os Banhistas, de calças compridas e arregaçadas, punham-nos todos em fila. Pegavam em cada criança, uma a uma, pelo peito e pernas, e mergulhavam-nos por baixo de uma onda. Estava o banho de mar tomado... o pão com marmelada tinha um sabor especial na Praia da Gala. O que gostava menos era ter que ir para a cama (em beliche) ainda com o sol bastante alto. Saudades desses tempos.”
“-Se houver paraíso no céu, este era o da terra, com o nome de Colónia Balnear Dr. Oliveira Salazar. Por baixo dizia: “Façamos felizes as crianças da nossa terra! Existia uma carrinha VW, tipo pão de forma, que fazia a manutenção daquela colónia. O diretor era o Sr. Marques e dava emprego a dezenas, se não centenas de pessoas, e tudo isto a custo zero. No que diz respeito a alimentação e alojamento era do melhor – Hotel 10 Estrelas!"
"-Não tenho palavras para descrever o quanto aquela colónia era maravilhosa. Hoje recordo com muitas saudades os tempos que lá passei e de vez em quando vou lá fazer uma visita. Atualmente era impensável existir uma instituição desta categoria. Tenho dito. A.L.” 
A Colónia Balnear recebia crianças de ambos os sexos, dos 5 aos 14 anos de idade, de 10 de junho a 30 de outubro. A admissão era autorizada superiormente e poderia ser solicitada por qualquer entidade oficial ou particular, pelos pais ou por qualquer pessoa que se responsabilizasse pelo pagamento das despesas. A administração estava a cargo de um secretário e de uma regente. 
No local da Colónia Balnear foi construído o Centro Geriátrico Luís Viegas Nascimento, pertença da Fundação Bissaya Barreto, que foi inaugurado em 2005 e tem capacidade para 77 residentes. 
(Pesquisa de Fernando Curado / Compilação e publicação de António Flórido / Set.2018)

15.7.18

Gala Internacional dos Pequenos Cantores da Figueira da Foz 2018 - 30ª edição decorreu hoje no Centro de Artes e Espectáculos - Fotos diversas e os vencedores!

Grande Auditório do Centro de Artes e Espectáculos da Figueira da Foz

Escola de Danza da Deputación de Orense, Espanha

Uma atuação no palco
Realizou-se hoje, domingo, dia 15 de julho, pelas 11h30, no Grande Auditório do Centro de Artes e Espectáculos da Figueira da Foz, a 30ª Gala Internacional dos Pequenos Cantores. 
Numa organização da Câmara Municipal da Figueira da Foz, a Gala teve transmissão televisiva em direto pela RTP1, (VER AQUI)  e contou com a apresentação de Joana Teles. 
Foram treze os participantes nesta 30ª edição vindos de países como Cabo Verde, China, México, Eslováquia e Portugal, do Continente e Ilhas. 
Os participantes atuaram acompanhados pelo Coro das Pequenas Vozes, dirigido pela Maestrina Alexandra Curado, e pela Orquestra Mar & Arte, dirigida pelo Maestro Rui Lúcio. 
A Escola de Danza da Deputación de Orense, Espanha, abriu o espetáculo. O júri foi constituído por João Aurélio Sansão Coelho, jornalista e presidente do Júri; Francisca Oliveira, diretora de comunicação da UNICEF Portugal; Carolina Deslandes, cantora, que interpretou ainda na abertura da segunda parte o tema ‘Avião de Papel’; João Carlos Callixto, autor, representante da RTP; Carla Bernardino, professora de canto e técnica vocal da Escola de Artes do CAE; e Cristiana Santos, aluna do Conservatório de Música David de Sousa. 
Esta 30ª edição teve os seguintes vencedores: 
Melhor Letra – Ana Gomes Vicente pela canção ‘Fabo’ interpretada por Diogo Silva, de 9 anos, da Ilha da Madeira; 
Melhor Música – Vítor Fernandes Alves pelo tema ‘Serei o que Eu Quiser’ interpretada por Lara Nunes, de 10 anos, Portugal 
Vencedor Estrangeiro – “Vysoka Lisocka com “Pol’ana”, música tradicional Eslovaca, interpretada por Martina Klobosicová, de 10 anos, da Eslováquia; 
Vencedores Nacionais – ‘Arca de Noé’ com música de João Paulo Faria, letra de Vítor Braga, interpretação de Leonor Simões, de 9 anos; e “A Natureza”, letra e música de Valter Guia, interpretação de Zara Furtado, de 10 anos.
Pianista com a sala apinhada ao fundo

Todas as Pequenas Vozes concorrentes

O Júri

Coro das Pequenas Vozes e Maestrina Alexandra Curado

Orquestra Mar & Arte

Vencedor da Melhor Música

Vencedor da Melhor Letra

Vencedora estrangeira: Martina Klobosicová, de 10 anos, da Eslováquia

Vencedores Nacionais: Leonor Simões de 9 anos com 'Arca de Noé' e Zara Guia de 10 anos com 'A Natureza'