2.12.16

Iluminação de Natal 2016 / Figueira da Foz e Buarcos











































29.10.16

Figueira da Foz – Lisboa = A primeira corrida de automóveis em Portugal

A corrida Figueira da Foz - Lisboa estava prevista para um domingo, dia 26 de Outubro de 1902, mas foi adiada pelo decreto do ministro Hintze Ribeiro. Segundo o jornal "O Século", o adiamento "por indicação do Sr. Ministro do Reino, a que a comissão promotora das corridas prontamente anuiu, em virtude das comunicações das autoridades respectivas, dirigidas ao Sr. Hintze Ribeiro, significando-lhe quanto seria difícil policiar as estradas e vilas do percurso – um domingo, dia em que há mercado em muitas povoações que os automóveis têm de atravessar. Por esse motivo, foi resolvido, não só evitar qualquer desastre sempre possível de se dar, como também deixar aos corredores a via mais livre, transferir a corrida para hoje". [27 de Outubro] 
A partida teve lugar às seis horas da manhã na Figueira da Foz e a meta estava localizada frente à igreja paroquial do Campo Grande, em Lisboa. Alinharam 14 veículos, entre automóveis e motos. G. Bordino (Fiat), Benedito Ferreirinha (Bólide), Abbott (Locomobile). C. Camargo (Locomobile), Edmond (Darracq), Tavares de Mello (Darracq), Afonso de Barros (Darracq), F. Martinho (Richard) e A. Martins (Clément) surgiram nos automóveis, a par das motos de José Bento Pessoa, Eugénio d´Aguiar, José Trigueiros Martel, António Paula e Batista de Santiago. 
Edmond, um piloto profissional que havia ganho o Paris-Viena, foi contratado pelo Dr. Tavares de Mello, responsável pela "Empresa Automobilista de Coimbra". Os dois foram reconhecer o percurso num Darracq de 9 CV, mas perderam muito tempo com problemas nos pneus e avarias e foram obrigados a jantar na Azambuja. "Depois de jantarmos, meti Edmond no comboio-correio para se dirigir à Figueira. Recomendei-lhe que dormisse para poder descansar, e pedi ao condutor do comboio que o acordasse em Alfarelos, para mudar de comboio para a Figueira da Foz e tomar a partida da corrida. O condutor esqueceu o meu pedido e Edmond foi parar a Coimbra", recordou mais tarde o Dr. Tavares de Mello. 
Vendo que o seu piloto não estava presente, o Dr. Tavares de Mello foi no carro de prova a Coimbra, sabendo que seriam desclassificados. Edmond tomou o volante e chegou a Lisboa com grande avanço, mas a vitória pertenceu ao italiano Bordini, contratado pelo Infante D. Afonso, filho de D. Luís e D. Maria Pia, que cumpriu o percurso em 7h 29m 25s. 
(Da secção “Aquela Máquina” do jornal Correio da Manhã, de 26.out.2016)

24.9.16

Centro de Diversões da Figueira da Foz – A História

O Centro de Diversões terá começado a ser pensado no início da década de 40 do século passado, tendo-se avançado para a sua construção em setembro de 1943 num terreno ao lado do Parque Cine (inaugurado em 1925) na Rua Cândido dos Reis. 
A Sociedade de Divertimentos e Propaganda da Figueira da Foz foi a mentora da ideia e da edificação, à frente da qual se encontrava o figueirense adoptivo Arnaldo Sobral (natural de S. Tomé) que, com o seu bairrismo, empenho e dedicação foi ultrapassando todas as dificuldades e entusiasmando toda a cidade à volta do projeto. 
A inauguração do Centro de Diversões da Figueira da Foz decorreu no sábado de 21 de junho de 1947. Para a história, fica a notícia do jornal “Notícias da Figueira” (de 28 de junho de 1947) com o título = A inauguração do ‘stand’ de diversões da Sociedade de Diversões e Propaganda da Figueira da Foz: 
“-Sábado passado foi inaugurado o Centro de Diversões da Sociedade de Divertimentos e Propaganda da Figueira da Foz, na Rua Cândido dos Reis. 
Foi, pode dizer-se, um acontecimento local. A magnífica obra traz aquele ponto do Bairro Novo uma rajada sugestiva de beleza e côr, e constitue apreciável distracção para miúdos e graúdos durante o Verão. Vai ser mesmo, crêmo-lo bem, uma derivante do corso movimentado da rua dos Casinos. 
De um lado, funciona uma pista de automóveis eléctricos, do outro um carroussel. 
Os veículos, importados de Inglaterra, são a última palavra. Nas demais instalações. No bar, esplanada, etc, transparece o cunho de novidade e encanto de colorido que orientaram toda a obra. 
No acto inaugural viam-se o elemento oficial e grande número de convidados. Cortou a fita simbólica de acesso ao edifício, o Presidente do Município sr. dr. Álvaro Malafaia. 
Arnaldo Sobral, que pôs a ideia em marcha, a ela se consagrando de alma e coração, agradeceu a presença de todos, particularmente aqueles que lhe prestaram colaboração. Teve referências especiais à Imprensa. 
Em seguida, foi oferecido um Porto de honra aos convidados, falando António Augusto Esteves pelos jornalistas presentes. O serviço, magnífico, recomenda a firma Guimarães e Saraiva concessionária do bar. 
Felicitando a Sociedade de Divertimentos e Propaganda felicitamos a Figueira. Acaba ela de ser dotada com um estabelecimento, único no género em praias nacionais, à altura das suas responsabilidades turísticas e da sua categoria de cidade. 
E tudo isto devido ao bairrismo de Arnaldo Sobral e à colaboração material de um grupo de dedicados figueirenses. "

As importantes instalações eléctricas do Centro de Diversões foram executadas sob a proficiente direcção do nosso amigo sr. Henrique Rodrigues, proprietário da oficina de reparações eléctricas mecânicas, sita na Avenida Saraiva de Carvalho desta cidade.” 
(Fontes consultadas: Sala Figueirense do Museu Municipal Santos Rocha / jornal Notícias da Figueira de 1947) 
………………………………………………………………………. 
Classificado na Direção-Geral do Património Cultural como Edifício de Interesse Municipal - Edital n.º 229 de 9-10-2003 da CM da Figueira da Foz – com o seguinte enunciado: 
“Centro de Diversõeas da Figueira da Foz 
Categoria / TipologiaArquitectura Civil / Centro Recreativo” 
Nota Histórico-Artística: Edifício filiado nos movimentos arquitectónicos da primeira metade do século XX, o "Centro de Diversões", localizado no centro de São Julião da Figueira da Foz, foi, durante largas décadas, o centro recreativo, por excelência, da zona. 
Trata-se de um edifício desenvolvido num único e amplo registo de planta rectangular, com a particularidade de possuir entrada principal em semi-círculo, dividindo as duas alas laterais com grandes óculos e amplas aberturas rectangulares rasgados nos alçados voltados para o pátio de acesso ao interior. Pátio este definido por muro de alvenaria, guardas de ferro e ritmado por candeeiros, ostentando grande portal em arco ligeiramente quebrado.”